quinta-feira, 31 de março de 2011

Uma mesa de bar qualquer

"Também pudera", dizia ela, "Eu mereci."
Olhava para o copo que se esvaziava cada vez mais rápido, e dizia:
"Eu sabia o que estava fazendo, e eu sabia as consequências desde o princípio."
Enchia o copo, pegava mais um cigarro, pedia fogo pra um estranho qualquer, e dizia:
"Eu não sei o que há comigo, parece que eu gosto de sofrer, de me iludir; eu nunca aprendo."
E olhava para a porta, esperando que ele fosse entrar por ela, mesmo sabendo que ele não iria, pois vê-lo fazia o mundo não parecer tão cinza, nem tão cruel, e dizia:
"Mas se quer saber, cherrie... Eu não me arrependo; nem um pouco."
E ali ela soube que ser tudo aquilo que os outros diziam que ela era, todas as coisas maravilhosas que os outros diziam que ela era, não importava, pois ela sabia que nunca seria sua preferida. Enquanto ele, pra ela, seria sempre o único. 
"Mas tudo bem cherrie... Tudo vai ser melhor pela manhã e eu ficarei bem... Eu sempre fico."
E à meia luz do bar que já fechava, enquanto o garçom levantava as cadeiras e limpava o balcão, já quase ao nascer do sol, ela pedia a saideira, e dizia:
"Não se preocupe cherrie, eu não me arrependo... O que seria de mim se eu não morresse de amor de vez em quando, não é mesmo?"
E saía pela rua, com o som de suas botas ecoando no asfalto molhado da rua vazia; vazia de pessoas, vazia de cores, vazia de tudo, assim como ela - exatamente como ela.
E dizia repetidamente pra si mesma
"Você vai ficar bem, cherrie. Você sempre fica."

sábado, 26 de março de 2011

Aquele Outro Eu

A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, você vai perceber que eu não sou nada daquilo que eu aparento ser; eu tenho mil defeitos, eu faço merda de vez enquando, e aí quando você se der conta disso, vai perder todo aquele encanto.

Mas não se preocupe, não é nenhuma novidade: você não é o primeiro e certamente não será o último.

sábado, 19 de março de 2011

Das coisas que não foram ditas

E não precisa pegar
os versos que caíram no chão
muito menos as palavras ditas em vão
daquele aconchego desconsertante do eu e você


Também não precisa dizer nem mais uma palavra
que tudo se encaixa assim perfeitamente mesmo sem a gente querer
é só estar junto que tudo parece que dá um jeito
a vida toma um rumo, o sabor fica mais doce e mais amargo em tudo


O prazer dobra de tamanho, e a dor também
e o ficar mais longe vira o querer mais perto
mil desculpas, as vezes inocentes, as vezes nao
que a gente encontra pra fazer ou deixar de fazer aquilo que de tanta vontade quase se faz sozinho


E negar pra que, se quem quiser vai querer
e querer e querer mais, até fazer
e sem arrependimento, tudo se torna divertimento
quando há naquilo tudo nada mais que uma boa intenção
que vem e vai embora, e que vai continuar retornando e indo embora novamente


E enquanto isso a gente finge,
assim com todo esse requinte,
que nada aconteceu
entre você e eu.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Meus Maiores Ídolos

É extremamente difícil expressar sentimentos em forma de palavras. Por isso admiro tanto os poetas - são pra mim as melhores pessoas do mundo, não importa o quão filhos da puta eles sejam.

Já é tempo

Eu desisto! E desisto de verdade dessa vez. Todo mundo espera isso ou aquilo de mim, sempre, e não importa quanto eu mude, há sempre mais alguma coisa errada. Eu não quero ser perfeita! Eu não quero medir cada passo em direção ao teu agrado e à minha ruína. Já chega! Dessa vez eu tenho que pensar em mim, mesmo querendo pensar em você, e me desculpe por isso; mas eu já não aguento mais tentar abrir as asas dentro de uma jaula tão apertada.